PL não consegue assinaturas, irrita Centrão e anistia esfria na Câmara
Partido de Jair Bolsonaro tenta colher 257 adesões de deputados individualmente

O Partido Liberal (PL), partido liderado por Jair Bolsonaro, não obteve o apoio necessário dos líderes partidários da Câmara dos Deputados para acelerar o projeto de anistia aos condenados pelos eventos de 8 de janeiro. A tentativa de aprovar o requerimento de urgência, que daria prioridade à proposta, esbarrou na falta de adesão formal de outras siglas. Sem o suporte dos líderes, o partido agora tenta angariar assinaturas individuais de deputados para alcançar o número necessário de 257 adesões.
Até o momento, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, afirmou ter conseguido 163 assinaturas, mas ainda está longe de atingir a quantidade necessária. Além disso, os líderes partidários, que poderiam assinar em nome de suas bancadas, também não demonstraram disposição para apoiar o projeto. A falta de movimento entre as siglas reflete a resistência a se envolver com uma proposta polêmica, especialmente sem sinais de que o presidente da Câmara, Hugo Motta, queira priorizar o tema.
O presidente da Casa tem evitado gerar atritos com o Supremo Tribunal Federal (STF) e, por enquanto, não sinaliza que o tema da anistia será colocado em pauta. A postura de Motta tem sido de equilíbrio, o que contribui para a hesitação de outros parlamentares, que preferem não se envolver com um tema controverso sem uma orientação mais clara.
Em meio a isso, o PL tem adotado estratégias de obstrução no Congresso, dificultando a realização de sessões e votações, o que irritou as lideranças dos partidos do Centrão. A obstrução, que inclui a recusa em registrar presença nas comissões, impediu o funcionamento de algumas delas no início da semana, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No entanto, a pressão do presidente da comissão, Paulo Azi, foi necessária para retomar os trabalhos.
Apesar dessas táticas, algumas votações ocorreram, como a aprovação de uma medida provisória do governo, e o PL foi forçado a liberar comissões importantes, como as de Saúde, Agricultura e Turismo, para votar matérias urgentes. Sóstenes Cavalcante justificou as ações do partido como uma obstrução responsável, até que haja uma autorização para que os líderes assinem o requerimento de urgência.
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