Duplicação da BR-290 deverá ser concluída somente em 2029
Obras enfrentam atrasos e obstáculos, incluindo a necessidade de reassentamento de indígenas em um dos lotes

Mais de sete meses se passaram desde que o presidente Lula anunciou a entrega da duplicação da BR-290, no trecho entre Eldorado do Sul e Pantano Grande, até o final de 2026. Contudo, a promessa não se concretizará a tempo. Desde que a obra foi iniciada em 2014, ela já sofreu diversos atrasos, e a expectativa agora é de que a duplicação não seja finalizada antes de 2029.
A duplicação deveria ter sido concluída em 2017, com um custo de R$ 583,55 milhões, mas até hoje, muitos trechos ainda não começaram. O maior obstáculo reside nos lotes 1 e 2, entre Eldorado do Sul e Butiá. Devido ao longo período de inatividade e à licitação realizada há mais de uma década, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) precisa formalizar a retomada da obra.
Embora se espere uma resolução até setembro deste ano, isso não garantirá o reinício imediato dos trabalhos. O lote 1, em Eldorado do Sul, ainda depende da transferência de famílias indígenas. Para que a construção siga adiante, o governo federal precisará adquirir uma área de 300 hectares antes que a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) autorizem o início das obras. Caso tudo corra conforme o esperado, o início dos trabalhos nesse trecho poderia ocorrer no segundo semestre de 2026, mas a conclusão, devido à necessidade de 24 meses de construção ininterrupta, só deve ocorrer em 2029.
No lote 2, que também se estende entre Eldorado do Sul e Butiá, o reassentamento indígena não é necessário. Caso o processo se resolva positivamente no segundo semestre de 2025, a expectativa é de que as obras sejam concluídas até 2028.
Nos outros trechos, entre Butiá e Pantano Grande, os trabalhos avançam mais rapidamente. O lote 3, com 27 quilômetros, deve ser finalizado no próximo ano, e o lote 4, com 29 quilômetros, tem chances de ser entregue ainda em 2025.
Atualmente, restam cerca de R$ 800 milhões para concluir a duplicação dos 115 quilômetros. Até o momento, apenas 14,5 quilômetros da estrada estão liberados para tráfego.
Concessão e Pedágios
Enquanto isso, uma corrida contra o tempo está em andamento na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que pretende implantar novos pedágios nas BR-116, BR-290, BR-392 e BR-158 já no próximo ano. A ANTT está trabalhando para garantir que o leilão da concessão aconteça em 2025, com a publicação do edital prevista para o segundo semestre e o leilão marcado para dezembro.
O projeto, iniciado no governo Bolsonaro em 2020, previa que a empresa vencedora do leilão investisse R$ 4,4 bilhões ao longo de 30 anos para a manutenção e melhoria de 674,10 quilômetros de rodovias. Em 2022, foi apresentado um estudo que indicava a construção de 13 novas praças de pedágio, com tarifas variando entre R$ 11,54 e R$ 16,15 para carros, dependendo do tipo de pista.
Com a introdução do sistema de "free flow" (cobrança sem parada), a ANTT planeja lançar o leilão já considerando a instalação de pórticos. Detalhes sobre os valores e a quantidade de pontos de cobrança ainda não foram divulgados.
Críticas
O atraso tem sido alvo de duras críticas devido a importância estratégica da rodovia para o desenvolvimento econômico e a segurança dos gaúchos. Entre os críticos está o deputado Afonso Motta (PDT).
— É inaceitável que o Governo Federal volte atrás em seu compromisso e adie a conclusão da duplicação da BR-290 para 2029. Essa rodovia é essencial para a ligação com o Mercosul, além de garantir mobilidade e segurança à população gaúcha. Os constantes atrasos nas obras prejudicam o escoamento da produção, dificultam o transporte de cargas e comprometem o turismo na região — afirmou o deputado.
Afonso Motta também criticou o fato de a promessa feita pelo presidente Lula de conclusão até 2026 não ter sido cumprida.
— O povo gaúcho não pode aceitar esse descaso. Recentemente, um acidente interditou a BR-290 por mais de 10 horas, mostrando como a situação é insustentável. Estamos cobrando, junto ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que o Governo Federal faça todos os esforços para garantir a conclusão das obras no prazo originalmente previsto — destacou o parlamentar.
Segundo o deputado, o atraso na conclusão das obras impacta diretamente o desenvolvimento econômico e a segurança viária.
— A duplicação da BR-290 até Uruguaiana é um compromisso que não pode ser quebrado. O Rio Grande do Sul exige respeito e soluções concretas para essa questão urgente — finalizou.
Com informações da Zero Hora
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