CEEE Equatorial é a pior distribuidora de energia do Brasil, aponta Aneel
Ranking divulgado nesta quarta-feira não considera eventos climáticos extremos; RGE também piora e cai para a 15ª posição

A CEEE Equatorial, responsável pelo fornecimento de energia para 1,8 milhão de clientes no Rio Grande do Sul, foi classificada como a pior distribuidora de energia elétrica do Brasil em 2024. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (2/04) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e aponta o pior desempenho da concessionária desde o início da série histórica, em 2011. As informações são da Aneel e Zero Hora.
Já a RGE, que atende cerca de 3 milhões de clientes no Estado, caiu seis posições no ranking e passou para o 15º lugar, empatada com outras duas empresas entre as 31 distribuidoras de grande porte avaliadas.
Como funciona o ranking
A Aneel mede a qualidade do serviço prestado pelas distribuidoras por meio do Desempenho Global de Continuidade (DGC), um indicador que considera:
- Tempo médio sem luz em cada unidade consumidora ao longo do ano
- Número de interrupções no fornecimento de energia
- Quanto menor o DGC, melhor a avaliação da concessionária.
Pior resultado da história para a CEEE Equatorial
Em 2024, a CEEE Equatorial registrou um DGC de 1,76, o mais alto entre as 31 distribuidoras avaliadas. Para comparação, a 30ª colocada, a Equatorial Goiás, teve um índice de 1,19.
O levantamento abrange o período de janeiro a dezembro de 2024 e não leva em conta eventos climáticos extremos.
O desempenho da empresa já vinha preocupando nos últimos anos. Em 2023, a CEEE Equatorial havia ficado na penúltima posição, com um DGC de 1,63. Desde 2017, a companhia ocupou o último lugar cinco vezes, ficando na penúltima posição apenas em 2018 e 2023.
RGE também piora no ranking
Outra concessionária que opera no Rio Grande do Sul, a RGE, teve uma piora no desempenho, caindo para a 15ª posição. Seu DGC subiu de 0,69 em 2023 para 0,74 em 2024, o que indica um aumento na frequência ou na duração das interrupções de energia.
Ranking das distribuidoras em 2024
A classificação considera concessionárias de grande porte, com mais de 400 mil unidades consumidoras.
- 1º CPFL Santa Cruz – DGC: 0,58
- 2º EPB– DGC: 0,62
- 2º ERO – DGC: 0,62
- 4º Neoenergia Cosern– DGC: 0,63
- 5º ESS – DGC: 0,64
- 6º CPFL Paulista – DGC: 0,67
- 6º EDP ES– DGC: 0,67
- 6º Equatorial PA – DGC: 0,67
- 6º ETO – DGC: 0,67
- 10º EMT– DGC: 0,68
- 11º CPFL Piratininga – DGC: 0,69
- 11º EMR – DGC: 0,69
- 13º Neoenergia Coelba – DGC: 0,71
- 14º Neonergia Elektro – DGC: 0,72
- 15º EDP SP – DGC: 0,74
- 15º EMS – DGC: 0,74
- 15º RGE – DGC: 0,74
- 18º ESE– DGC: 0,75
- 18º Neoenergia Brasília – DGC: 0,75
- 20º Neoenergia Pernambuco – DGC: 0,77
- 21º Enel SP – DGC: 0,80
- 21º Equatorial PI – DGC: 0,80
- 21º Light Sesa – DGC: 0,80
- 24º Enel CE – DGC: 0,82
- 24º Equatorial MA – DGC: 0,82
- 26º Celesc – DGC: 0,85
- 27º Enel RJ – DGC: 0,86
- 28° Cemig – DGC: 0,91
- 29° Copel – DGC: 0,92
- 30° Equatorial GO– DGC: 1,19
- 31º CEEE Equatorial – DGC: 1,76
O que dizem as concessionárias?
A reportagem solicitou posicionamento da CEEE Equatorial, que se manifestou por meio de nota (leia abaixo). A RGE também foi procurada, mas recusou o pedido de entrevista.
NOTA DA CEEE EQUATORIAL
“Sobre o ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicado nesta quarta-feira (2), que classificou o desempenho das distribuidoras do Brasil em 2024, o Grupo Equatorial reforça que trabalha para elevar os padrões de qualidade no fornecimento de suas concessões, investindo em confiabilidade da rede, melhoria nos serviços prestados e aplicação de tecnologia de ponta.
Na Equatorial Goiás, em 2 anos, foram investidos mais de R$ 4 bilhões na reconstrução da concessão, com entrega de 6 novas subestações, ampliação e modernização de 202 subestações, substituição de 10,3 mil equipamentos da rede elétrica, com o objetivo de garantir um fornecimento de energia eficiente e com qualidade para a população. É importante ressaltar que o Desempenho Global de Continuidade (DGC) compara o desempenho real com as metas estabelecidas especificamente para cada distribuidora, refletindo o desafio de alcançá-las. Em Goiás, houve uma melhoria em comparação com o ano anterior, de 1,66 em 2023, para 1,19 em 2024. Esse indicador tem como base exclusivamente as características da área de concessão, que têm suas particularidades e complexidades.
Em relação à CEEE Equatorial, desde 2021, também foram feitos investimentos robustos na rede elétrica. Foram aplicados R$ 2,5 bilhões em modernizações e novas estruturas na área de concessão no Rio Grande do Sul. Vale destacar que, desde 2023, o estado vem enfrentando diversos e sucessivos eventos climáticos extremos, que danificaram a rede elétrica, impactaram o fornecimento e, principalmente, o cronograma de obras de melhoria na rede de distribuição. Somente o ano de 2024 foi marcado por eventos climáticos adversos, entre eles a pior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, onde a área de concessão da CEEE Equatorial foi afetada pelas enchentes de maio. Mesmo atuando em contingência, a CEEE Equatorial adotou uma série de medidas para reforçar e modernizar a rede elétrica, o sistema de operações, as equipes de campo e de atendimento ao cliente. Foram empregados todos os recursos disponíveis para restabelecer o serviço com a maior brevidade possível, nas situações mais complexas, colocando essas ações em prática durante um período de adversidades jamais enfrentadas por uma distribuidora de energia elétrica no país.
Como Goiás e Rio Grande do sul são concessões adquiridas recentemente, é natural que os resultados das ações demandem tempo de maturação e, a expectativa é de melhoria nos indicadores gradativamente nos próximos anos.
Neste contexto, o Grupo Equatorial reconhece a importância da transparência das suas operações, por isso, reafirma seu compromisso em elevar os padrões de qualidade e confiabilidade dos serviços prestados, bem como se compromete a informar regularmente sobre o progresso das ações implementadas e os resultados alcançados, mantemos diálogo aberto com a sociedade e órgãos reguladores.”
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