OPINIÃO | Então chegou o Carnaval!!!
O Carnaval vai além da folia: é um momento de celebração, mas também de luta e resistência

Marcelo Noronha*
O Carnaval, tradicionalmente conhecido como uma festa popular marcada pela alegria, música e dança, também se configura como um espaço de manifestação e expressão política, especialmente para as classes mais vulneráveis. Ao longo da história, essa celebração transcendeu seu caráter puramente festivo, tornando-se uma plataforma para denúncias sociais, reinvindicações de direitos e afirmação de identidades marginalizadas.
No Brasil, por exemplo, o Carnaval é um fenômeno cultural profundamente enraizado na sociedade, e suas raízes estão intimamente ligadas às lutas e resistências das populações negras, indígenas e periféricas. Durante o período colonial e pós-colonial, as festas de rua e os cortejos carnavalescos eram momentos em que escravizados e libertos podiam, mesmo que temporariamente, subverter as hierarquias sociais e expressar suas culturas, crenças e insatisfações. Essa tradição de resistência permanece viva até hoje.
Nos blocos de rua e nas escolas de samba, é comum encontrar críticas sociais e políticas embutidas nas letras dos sambas-enredo, nas fantasias e nos carros alegóricos. Temas como racismo, desigualdade social, violência policial, falta de moradia e direitos LGBTQIA+ são frequentemente abordados, dando voz a quem muitas vezes é silenciado no cotidiano. O Carnaval, portanto, torna-se um palco onde as classes mais vulneráveis podem amplificar suas demandas e chamar a atenção da sociedade para questões urgentes.
Além disso, o Carnaval é um espaço de afirmação cultural e identitária. Para muitas comunidades periféricas, participar de uma escola de samba ou de um bloco Carnavalesco é uma forma de valorizar suas raízes e fortalecer o senso de pertencimento. A festa também gera oportunidades econômicas para artistas, artesãos e trabalhadores informais, que dependem desse período para complementar sua renda.
No entanto, é importante ressaltar que o Carnaval não está imune às contradições da sociedade. A comercialização excessiva, gentrificação dos espaços públicos e a marginalização de certos grupos dentro da própria festa são desafios que precisam ser enfrentados. Ainda assim, o potencial do Carnaval como ferramenta de transformação social e empoderamento das classes mais vulneráveis é inegável.
Em suma, o Carnaval vai além da folia: é um momento de celebração, mas também de luta e resistência. É quando as ruas se tornam palco para a diversidade, a criatividade e a voz daqueles que, no dia a dia, enfrentam as maiores adversidades. Nesse sentido, a festa se consolida como uma poderosa oportunidade de manifestação e reinvindicação por um mundo mais justo.
Brinquem!!! Manifestem!!! Mas lembrem: álcool não combina com direção. Preservem a vida!!
(*) Marcelo Noronha, estudante de Jornalismo
COMENTÁRIOS