Morre aos 92 anos o narrador esportivo Celestino Valenzuela, autor do bordão “Que lance!”

Ele estava internado na Santa Casa de Porto Alegre, depois de ter sofrido um infarto no dia 9 de junho deste ano, mesmo dia em que fez aniversário

Por Portal de Notícias 16/10/2020 - 08:36 hs
Foto: Divulgação
Morre aos 92 anos o narrador esportivo Celestino Valenzuela, autor do bordão “Que lance!”
Morre aos 92 anos o narrador esportivo Celestino Valenzuela, autor do bordão “Que lance!”

Conhecido pelo bordão "Que lance!", o narrador Celestino Valenzuela, uma das principais vozes do jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul, morreu na noite desta quinta-feira (15/10), aos 92 anos. Ele estava internado no Hospital São Francisco, da Santa Casa de Porto Alegre. De acordo com a família, Celestino sofreu um infarto no dia 9 de junho deste ano, mesmo dia em que fez aniversário. No hospital, teve outras complicações e não resistiu.
Natural de Alegrete, Celestino chegou a atuar como jogador de futebol em São Gabriel. Era o ano de 1955, mas uma lesão no joelho o deixou de molho, imobilizado. Foi aí que um conhecido da Rádio São Gabriel o convidou para ser locutor. Ele nunca mais voltaria a atuar nos gramados.
Chegou à Capital para ficar marcado como um dos maiores comunicadores gaúchos de todos os tempos. Em 1959, foi para a televisão, com a inauguração da TV Piratini. Também trabalhou nas rádios Itaí, Difusora e Farroupilha. Foi narrador esportivo da RBS TV — e da antiga TV Gaúcha — nos anos 1970 e 1980. Trabalhou também na Rádio Gaúcha, onde transmitia futebol, vôlei e basquete, além de apresentar o programa Domingo Esporte Show.
Aposentou-se em 1989, tanto da RBS TV quanto da UFRGS (era locutor da Rádio Universidade).
Segundo a jornalista Rafaela Meditsch, autora da biografia Que Lance! (2014), escrita em parceira com Eduarda Streb, Celestino saiu da vida pública para se recolher totalmente. Não gostava de dar entrevistas. Ela recorda que, desde sua despedida da televisão, poucos sabiam do seu paradeiro.
Em 2012, Celestino chegou a narrar alguns momentos do Gre-Nal pelo SporTV como uma referência ao jogo que era tratado como a despedida do Estádio Olímpico. Dois anos depois, em entrevista a Zero Hora no lançamento da sua biografia, contou a origem do bordão:
- Já trabalhava há dois anos na TV Gaúcha e fui fazer um jogo do Grêmio contra o Flamengo de Caxias do Sul (atual Caxias). Em um lance, um gremista, não lembro quem, entrou área adentro. A bola sobrou sem ninguém na frente, aqueles gols imperdíveis, mas ele preferiu dar um toque de leve. O goleiro ficou olhando, e a bola passou devagar, perto da trave, saindo pela linha de fundo. Eu sempre acelerava a narração quando havia perigo de gol. Naquele momento, foi algo assim: "Bola pelo lado direito, fulano chuta rasteiro, goleiro sem reação e... pela linha de fundo! Que lance, hein?". Depois do jogo, o Clóvis Prates, diretor da emissora, me chamou. Com um cachimbo na boca, me mostrou a fita do jogo e perguntou de onde eu tinha tirado o "Que lance, hein?". Respondi que era algo não planejado. Ele gritou: "A partir de hoje, diz isso sempre!". Tinha muita gente conosco ali, foi uma risada geral - contou.

Com informações da GaúchaZH

Entre no grupo do Portal de Notícias no Telegram e receba notícias da região








Deixe seu Comentário

Os comentários de leitores, no site ou em redes sociais, não representam a opinião do Portal de Notícias e são de responsabilidade única e exclusiva de seus autores, que poderão ser responsabilizados legalmente pelo seu conteúdo.