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São Jerônimo, RS, 26/02/2025

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO GUERREIRO | Os 50 anos de Physical Graffiti, do Led

Já escutaram Kashmir?

Reprodução
JOÃO GUERREIRO | Os 50 anos de Physical Graffiti, do Led Os 50 anos de Physical Graffiti, do Led

João Adolfo Guerreiro

Sou fã de Led Zeppelin, tenho tudo da banda. O play que mais gosto, pra surpresa de muitos outros fãs, é In Through The Out Door (também se estarrecem quando afirmo curtir Hot Space, do Queen) - um dia escreverei sobre ele. Os grandes plays do Led foram o I, o II, o III e o IV, onde estão seus maiores hits. O IV, o do velhinho carregando lenha na capa, é o mais icônico, onde encontramos canções antológicas como Black Dog, Rock and Roll, a única Stairway to Heaven, When the Levee Breaks, The Battle of Evermore e Going to California. Claro que, quem curte o Zep se baba até por Presence e CODA, seus LPs mais crus - não os chamaria de fracos ou ruins, quem conhece Led entende o que escrevo.

O Led, ao lado dos Beatles, do Pinky Floyd e do Queen, forma o quarteto fantástico da história do rock, na minha avaliação. Todas bandas inglesas, longevas, que tu ainda pode ver estampadas em camisetas vestidas por jovens de 15 anos, dada a força e a qualidade do som. O Led Zeppelin é a minha preferida. Uma vez o vocalista Robert Plant disse em uma entrevista que não apenas se consideravam a número 1, mas que estavam muito na frente do número 2. Apesar de parecer arrogante e presunçoso, sou obrigado a concordar: o Zep era realmente diferenciado num tempo glorioso, no auge do rock, cheio de artistas muito bons. Plant, o guitarrista Jimmy Page, o baixista-tecladista John Paul Jones e o saudoso baterista John Bonham eram mestres em seus instrumentos, todos feras, exímios, virtuosos, grandes músicos. Teria de escrever um artigo longo pra explicar isso em pormenores, mas não é o caso - uma crônica é, sempre, nesses casos, um pequeno espaço. Pesquisem e reflitam por você mesmos, os que tiverem interesse.

E é aqui que chego, finalmente, a Physical Graffiti (1975), que nesta semana completou 50 anos de lançamento. Foi o primeiro e único álbum duplo de estúdio do Led, o sexto dos 11 oficiais de sua discografia. Lançado em 24 de fevereiro nos Estados Unidos e em 28 de fevereiro na Inglaterra, foi o primeiro da banda sob seu próprio selo, o Swan Song Records.

O lado 1 inicia com as pesadas Custard Pie e The Rover, que são boas e interessantes, mas a longa In My Time of Dying é a matadora, em seus 11 minutos. Um petardo. Deixo o link para uma versão ao vivo de 1975, pra vocês curtirem, até porque ela foi gravada direta mesmo, em apenas dois takes no estúdio, sendo que o segundo foi o aproveitado - dá pra ouvir Bonham falando isso ao final da gravação no disco. Page usa uma afinação aberta em Sol Maior na guitarra.

O lado 2 começa xonho com Houses of the Holy - uma sobra do LP anterior, homônimo - mas esquenta com Trampled Under Foot (versão ao vivo de 1975) e chega ao ápice em Kashmir (versão ao vivo de 1979), não só do play, mas também da história do rock em seus 80 anos. Uma canção portentosa em todos os seus inúmeros detalhes, memorável, magnífica. Page usa a afinação DAD GAD na guitarra. Ao lado de Stairway to Heaven, é o grande legado do Zep para o rock e para a música pop ocidental da segunda metade do século XX. Deixo um vídeo de Rogério Baraquet ao final deste texto, em ele que analisa os pormenores dessa canção, vale assistir.

O lado 3 é o que mais gosto, pelo conjunto coeso de canções. In the Light é bem anos 1960, tem aquela sonoridade dos filmes da época, um rock progressivo. Bron-Yr-Aur é um breve instrumental cativante ao violão, lírico e mágico, é a terceira que mais curto no play. Down By Seaside mantém o clima despojado e agradável e Ten Years Gone traz camadas sofisticadas de guitarra.

O lado 4 começa pra cima com Night Flight, a segunda que mais curto de Physical, cheia dos teclados de Jones. Depois vem a pesada The Wanton Song e as acústicas e despojadas Boogie With Stu e Black Country Woman, encerrado o LP com o peso de Sick Again.

ADVERTÊNCIA - Agora atentem pra uma coisa: Led em estúdio é uma coisa e ao vivo é outra. Nos anos 1970, a filosofia da maioria das grandes bandas de rock era recriar as canções sobre o palco, o que podia torná-las maiores e muito diferentes, algo chocante para ouvidos desavisados e acostumados, por exemplo, aos shows do Black Sabbath ou aos playbacks de hoje. Canções como Trampled Under Foot e In My Time of Dying eu aconselho a ouvir as versões ao vivo que pus acima, que estão no You Yube. Já Kashmir (assim como Rock and roll ou Black Dog) tá boa em qualquer lugar, em estúdio ou ao vivo. E já que estamos no assunto, darei dicas sobre canções que não estão em Physical: Stairway to Heaven e Since I've been Loving You eu aconselho apenas as icônicas versões de estúdio nos Leds IV e III, assim como Dazed and Confused, do LED I, Heartbreaker e Whole Lotta Love do II. As versões ao vivo dessa canções são somente para os iniciados em Led, que entenderão a viagem dos caras.

Finalizando, escreverei sobre a parte gráfica, a capa, eis que no Led isso sempre foi um diferencial, uma arte à parte. Os Led's I e II não primam por esse detalhe, mas já no III temos uma capa vazada onde as figuras mudam de lugar, pois por dentro tem um circulo de cartão com as mesmas, girável. Nos outros plays da banda, as capas sempre tiveram algo de especial, pois Page foi estudante de artes, pintura. Destacaria a de In Through the Out Door, com seis versões diferentes, cada uma com um ponto de vista diferente da mesma foto.

Em Physical Graffiti, assim como no LED III, a capa (dia) e a contracapa (noite) também são vazadas nas janelas do prédio, havendo três possibilidades de alteração das figuras: a primeira, a da imagem acima, a do papel que envolve os encartes dos discos, com o título do LP; e mais duas opções de capa e contracapa, conforme as imagens abaixo, correspondentes aos dois encartes dos discos. As fotos são de membros da banda e também de personalidades pop, artísticas e históricas. O prédio, fotografado por Peter Corriston - o homem que aparece sentado é Page -, fica em Nova York e é o mesmo que aparece no video clip de 1980 que os Rolling Stones fizeram para a canção Waiting on a Friend. A complicada produção gráfica da capa foi a responsável por o álbum ter sido lançado em fevereiro de 1975, mesmo as gravações em estúdio tendo sido finalizadas em julho de 1974.

E era isso. Ouçam o LP completo na internet, facinho de achar. Não sei se esse texto ainda é uma crônica ou se já virou um artigo. Não importa, o lance é que "rock é rock mesmo" e Led é Led.

Vídeo Tik Tok: Destrinchando Kashmir, por Rogério Baraquet








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