Juiz de Direito jeronimense capitaneia a “Escola da Liberdade”

Presídio Feminino de Lajeado completa um ano e apresenta resultados positivos

Por Portal de Notícias 10/01/2018 - 19:40 hs
Foto: Paulo Swergio Rosa / Divulgação
 Juiz de Direito jeronimense capitaneia a “Escola da Liberdade”
Juiz Johnson (C) participou de encontro de líderes locasi com as detentas

Fruto de ampla mobilização da comunidade de Lajeado e do Vale do Taquari, o Presídio Feminino de Lajeado completou um ano de efetivo funcionamento apresentando resultados altamente satisfatórios. A mobilização foi capitaneada pelo juiz-diretor do Foro da Comarca local, o jeronimense Luís Antônio de Abreu Johnson. Ele ressalta a possibilidade de oferecer às apenadas o cumprimento digno da sanção criminal privativa da liberdade e a busca da ressocialização, com o retorno das mulheres ao convívio social de forma harmônica.

Juiz JohnsonNo primeiro ano, passaram pela casa prisional aproximadamente 70 apenadas e presas provisórias, inexistindo registros ou notícias de reincidência por qualquer uma delas. Também não foram registrados casos graves de indisciplina no interior do cárcere, seja pelo não ingresso de drogas ou aparelhos celulares.

- Isso destoa das práticas cotidianas do sistema prisional brasileiro - observa o magistrado.

Escola da Liberdade

Segundo o juiz Johnson, entre as causas para os bons índices revelados, encontra-se a implantação, logo nos primeiros meses, do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos (NEEJA), apelidado pela comunidade de Escola da Liberdade, sob a responsabilidade da 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).

Com projeto pedagógico próprio e ensino multisseriado, as apenadas têm contato com cinco áreas do conhecimento: linguagens, ciências físicas e biológicas, humanas e matemáticas. As aulas são ministradas por quatro professores, de segundas às sextas-feiras, no turno da tarde. A escola conta com uma coordenadora pedagógica e um diretor. Além disso, o Presídio dispõe de biblioteca própria, e as apenadas podem retirar livros para leitura em suas acomodações.

Programas voluntários, desenvolvidos pela Universidade do Vale do Rio Taquari (UNIVATES) contribuem para os resultados positivos. Denominado Linguagem e Corporeidade, projeto de extensão insere atividades de alongamento e danças no dia a dia das mulheres. Já o projeto Doe livros para quem quer virar a página permite que as apenadas recebam doações de obras literárias para a biblioteca.

Autoestima

Outra iniciativa é o programa Visitas Assistidas, implantado pela SUSEPE, pelo qual as apenadas recebem na casa prisional pessoas sem vínculos sanguíneos, durante o período das visitas rotineiras, a fim de ter uma integração social e comunitária. Com a intenção de resgatar a autoestima das apenadas, foram desenvolvidas pelo Conselho da Comunidade, em parceria com entidades locais e voluntários, oficinas de corte de cabelos, manicure e maquiagem. Um salão de beleza foi montado em espaço próprio. Todos os projetos são comandados pelo juiz titular da Vara das Execuções Criminais de Lajeado, Paulo Meneguetti.

- Associados ao trabalho que as mulheres desenvolvem diariamente no interior do estabelecimento profissional, as iniciativas contribuíram decisivamente para o atingimento de resultados que impactam até aqueles que militam na área de execuções criminais - avalia o juiz Johnson.

O magistrado avalia positivamente os programas implantados no presídio;

- É um espaço onde se cumpre a pena privativa de liberdade com dignidade humana e sem regalias ou concessões, mas com programas de educação, trabalho e lazer que produzem eficácia. Esta é a forma de voltarem ao convívio social sem o estigma do crime que as levou ao cárcere – finaliza o juiz Johnson.