Fórum da Diversidade aborda a realidade enfrentada pelos gays, lésbicas e travestis

Temas como a conquista de direitos, saúde e diversidade, preconceito e violência foram abordados do encontro

Por Portal de Notícias 19/05/2017 - 16:14 hs
Foto: Cauê Florisbal
 Fórum da Diversidade aborda a realidade enfrentada pelos gays, lésbicas e travestis
Adriana Souza foi uma das palestrantes e falou sobre suas experiências

Na última quarta-feira, 17, aconteceu no auditório do IFSul Charqueadas o I Fórum Municipal da Diversidade LGBTTI. O evento, realizado pela Secretaria de Assistência Social de Charqueadas por meio da Coordenadoria da Infância, Juventude, Mulher e Direitos Humanos, com o apoio do Gabinete da Primeira-Dama, IFSul e Câmara de Vereadores, permitiu que diversos depoimentos mostrassem a realidade enfrentada atualmente pelo homossexuais.

A advogada e integrante da Comissão Especial da Diversidade de Gênero da OAB, Gabriela Lorenzeti, falou sobre as conquistas do público LGBTTI (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e intersexuais) nos últimos anos, como o direito ao casamento e ao registro de filhos. Gabriela lembrou que somente no fim do Século XX ser homossexual deixou de ser considerado caso de saúde pública. Segundo ela, até o início dos anos 1990 ser gay ou lésbica era considerado doença.

O tema saúde e diversidade LGBTTI foi o tema abordado pelo médico Kaled Hasan Musa, clínico geral da Secretaria de Saúde de Charqueadas. Nos dias hoje, está cada vez mais comum pessoas que descobrem a sua ideologia de gênero utilizarem medicamentos para ter o corpo do sexo desejado. Segundo o médico, a realização deste procedimento sem acompanhamento médico traz sérios riscos. Entre as doenças que a falta de auxilio médico pode causar estão trombose, AVC, e até mesmo alguns tipos de tumores.

- Quem faz um tratamento hormonal sem consulta médica corre muitos riscos de efeitos colaterais, pois isso deve ser feito por profissionais. A orientação para fazer algum tipo de tratamento, como tomar hormônio, próteses, é primeiro consultar um médico. Existem os riscos, mas com o acompanhamento de um especialista tudo é avaliado e os riscos são bem menores. Sempre esperamos passar a fase da puberdade para a pessoa ter as características biológicas do corpo e poder fazer essas transformações – explica Kaled Hasan Musa.

A coordenadora da Diversidade Sexual do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos do Estado, Adriana Souza, falou sobre a sua experiência por ser transexual. Adriana disse que uma das suas grandes conquistas foi ser a primeira funcionária transexual da rede pública estadual. Adriana também falou sobre o processo de opressão que os LGBTII enfrentam no seu cotidiano por serem considerados por muitos fora do padrão social.

- Existe um padrão social estabelecido que é ser homem, branco, hetero e cristão. Todos os outros seres que não se enquadram neste tipo de padrão estabelecido serão, de alguma forma, diminuídos em sua dignidade - afirma Adriana.

A professora Iara Neto deu o seu depoimento sobre a experiência de ter um filho gay. Integrante do Grupo Mães pela Diversidade, Iara falou sobre a violência que os transexuais têm sofrido em todo o Brasil devido o preconceito e o medo que isso passa para as mães de pessoas que fizeram outra opção sexual.

 

- Nenhuma mãe quer passar pela experiência de um dia ter que ir reconhecer o corpo do seu filho. Quando eu soube que meu filho era gay, eu achei que a sociedade estava preparada, por medo das pessoas não respeitarem – relata.