Escola Cenecista de Charqueadas comemora 50 anos

Escola, que começou com um curso técnico em contabilidade, terá dez cursos superiores em 2018

Por Portal de Notícias 20/04/2017 - 16:12 hs
Foto: Arquivo Pessoal / Geber Ataia
 Escola Cenecista de Charqueadas comemora 50 anos
Professor Agicê Ramos (E) e o alubno Geber Ataia nas formatura da turma de 1974

Neste ano, a Escola Técnica Cenecista Carolino Euzébio Nunes (Cnec Charqueadas) comemora 50 anos de atividades. Em 1967, na fundação da Companhia Nacional dos Educadores (CNEG), seu nome de origem, o então prefeito de São Jerônimo, Antônio José Ache, firmou um convênio com a escola por meio do qual a Prefeitura contribuía com um valor equivalente a oito vezes o salário mínimo regional, anualmente, por turma de alunos matriculados.

Desde 1967, a escola já esteve nos prédios das escolas Mineiro Nicácio Machado, Pio XII e Cruz de Malta e, desde o ano de 2001, ocupa o prédio cedido em comodato pela Gerdau.

O primeiro curso oferecido pela escola foi o técnico em contabilidade, mas no projeto de criação da escola a intenção era a fundação de uma escola técnica industrial.

- A ideia era a criação de uma escola técnica industrial, mas o projeto ficou inviável devido às dificuldades para a montagem dos laboratórios específicos – explica Arnildo Pfingstag, que foi diretor da escola por 36 anos.

Pfingstag relata que a escola foi criada para suprir um desejo da comunidade: o acesso ao ensino técnico. Até a década de 1960, o então distrito de São Jerônimo tinha apenas o curso normal como alternativa.

- Em 1966, o então Ginásio Estadual de Charqueadas, hoje Escola Estadual de Ensino Fundamental Henri Duplan, formava a sua primeira turma. Não havia, na época, escola de “segundo ciclo” como se chamada o Ensino Médio de hoje, a fim de que aqueles alunos pudessem continuar os estudos em Charqueadas. Então a comunidade se organizou e foi buscar uma escola que desse a oportunidade de continuidade de estudos em outro nível de ensino – afirma Pfingstag.

 

Escola referência na região

Desde a fundação, a escola já mudou de nome por diversas vezes. Em 1978, ingressou na a rede da Campanha Nacional das Escolas da Comunidade (CNEC) e passou a se chamar Escola Cenecista de 2º Grau de Charqueadas. A atual nomenclatura, Escola Técnica Cenecista Carolino Euzébio Nunes, identifica a escola desde 1998 para homenagear ao primeiro presidente da entidade mantenedora local e líder do movimento de criação da escola.

Nestes 50 anos, a escola formou mais de quatro mil alunos. Segundo Arnildo Pfingstag, a escola é modelo de ensino na região e uma das estratégias para isso acontecer foi a busca de apoio nas principais empresas do município.

- A escola é referência na região, destacando-se pela qualidade dos serviços que presta em todos os segmentos, através do quadro de profissionais competentes e alinhados com o seu projeto pedagógico. A instituição teve e tem apoio de parcerias que foram decisivas para o seu sucesso. A empresa Gerdau, com a cadência do prédio, laboratórios para as aulas práticas dos cursos técnicos e campo de estágio; a Prefeitura de Charqueadas, que concede bolsas de estudos; a empresa GKN, com o incentivo para turmas do curso de metalurgia e campo de estágio; e a  Tractebel Energia, que incentiva alunos do curso de qualificação profissional na área de energia elétrica – destaca Pfingstag.

 

Contribuição para a formação da sociedade

O curso técnico em contabilidade foi o primeiro a ser oferecido pela escola. A primeira turma se formou em 1969, com os alunos Alcy Ávila, Cláudio Tavares de Freitas, Celso Ladislau Kassic, Edilon Oliveira Lopes, Gene Nascimento, Ivone Pereira Martins, João Hermes Nascimento, Paulo Lippmann e Roberto Luiz Perez de Lima.

Empresário de uma rede de lojas na região, Celso Kassic relata que o curso de contabilidade contribuiu no trabalho de gerenciamento de sua empresa.

- Devido a esse aprendizado, fiz por muito tempo a contabilidade de minha empresa, mesmo eu já tendo trabalhado com isso na Aços Finos Piratini, esse curso me ajudou muito – revela Kassick.

Mesmo para aqueles que não seguiram na área, o curso ajudou no cotidiano. Geber Ataia, que se formou em 1974, lembra da contribuição do conhecimento adquirido nas escola e dos professores que lecionaram em sua época.

- Na época, só tinha o curso de técnico em contabilidade. Era um curso de três anos e em cada ano iniciava uma turma. As aulas no primeiro ano foram na Escola Pio XII, depois passaram para o Nicácio Machado. Não trabalhei como técnico em contabilidade, mas o conhecimento adquirido me ajudou em muito. O grande detalhe do curso era os professores e o pessoal administrativo. Na minha época, o diretor era o professor Agicê Ramos, de um caráter fora de série. Na parte administrativa, tínhamos o Derli Florisbal e a Sara Peres, que era muitos bons. Já os professores eram o Cláudio Freitas (Tigrão), Edilon Lopes, Sônia Chiká, Sérgio Oliveira, Vani, Ari Arruda, Arnildo, e o extraordinário Vilibaldo. Todos exemplo de trabalhadores e de caráter – relembra o ex-aluno.

 

A escola hoje

Atualmente com aproximadamente 400 alunos, a escola conta com turmas de Educação Infantil, Ensino Fundamental, cursos técnicos em metalurgia, eletromecânica, administração, segurança do trabalho e nutrição. A escola também é Polo de EAD (ensino a distância) da Faculdade Cenecista de Osório (FACOS), tendo disponíveis, atualmente, dois cursos de graduação, que são pedagogia e teologia e dois cursos tecnólogo, que são de processos gerenciais e tecnólogo em gestão de recursos humanos.

Segundo o atual diretor, Ivanor Henrique Dannebrock, a partir de 2018 a escola vai contar com seis novos cursos superiores, chegando a dez cursos na modalidade EAD. Os cursos são pedagogia, administração, ciências contábeis, logística (tecnólogo), gestão ambiental (tecnólogo) e formação pedagogia.

Dannebrock está há sete meses à frente da instituição, mas já sabe da importância da CNEC na história de Charqueadas.

 

- Nestes 50 anos, a escola vem contribuindo muito com o município, se observarmos quantas lideranças e profissionais das áreas técnicas passaram por ela – afirma o diretor.