Fábrica de colchões na Penitenciária de Arroio dos Ratos emprega 26 apenados

Detentos trabalham há um mês na atividade e já obtém resultados significativos

Por Portal de Notícias 31/07/2020 - 12:12 hs
Foto: Divulgação / Seapen
Fábrica de colchões na Penitenciária de Arroio dos Ratos emprega 26 apenados
Fábrica de colchões na Penitenciária de Arroio dos Ratos emprega 26 apenados

Na Penitenciária Estadual de Arroio dos Ratos (PEAR), 26 detentos estão fabricando colchões, beneficiados por um termo de cooperação entre a empresa StarDream, a Secretaria da Administração Penitenciária (Seapen) e a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). A unidade de produção está em funcionamento há um mês e já tem trazido resultados significativos.
- O trabalho dos apenados na filial da empresa dentro da penitenciária está superando as minhas expectativas. Ontem estive lá e pude ver a qualidade do trabalho e do acabamento nas costuras - destacou o empresário Tiago de Matos, proprietário da StarDream.
A inauguração oficial da fábrica ainda não ocorreu em função da pandemia.
- Nós gostaríamos de ter feito um ato solene em junho quando iniciou a operação. Como não foi possível por causa do contexto, faremos isso assim que possível, com a presença do Governador Eduardo Leite, para destacarmos essa importante iniciativa no sistema prisional gaúcho. A ressocialização da pessoa presa passa obrigatoriamente pela capacitação para o trabalho, por isso ações como essa fazem parte das diretrizes fundamentais da nossa gestão - afirmou o secretário da Administração Penitenciária, Cesar Faccioli.
Matos também pontuou que, além da economia para o empregador, a utilização de mão de obra prisional traz o benefício de agregar para a empresa a responsabilidade social, pois é um modo de contribuir para que pessoas não voltem para a criminalidade.
- Depois que eles estiverem em liberdade, com certeza eu contrataria esses apenados para a minha empresa aqui fora, pois já estarão qualificados e terão experiência - acrescentou.

INCLUSÃO SOCIAL

Os apenados cumprem carga horária de trabalho de 8 horas diárias, de segunda a sexta-feira. Todos passaram por treinamento e recebem salário, além de terem remição de um dia de pena a cada três dias trabalhados.
- Essa oportunidade pra mim é uma perspectiva de uma nova vida, de uma nova caminhada, longe da criminalidade, longe das drogas e uma oportunidade para quando eu sair já ter uma nova profissão e estar novamente dentro do mercado de trabalho - afirmou o apenado E. M., de 38 anos, que está trabalhando na produção de colchões.
Antes de iniciarem o trabalho na fábrica de colchões, os apenados participaram do projeto de fabricação de máscaras. A partir dessa pré-seleção, na qual já obtiveram noções de jornada de trabalho e disciplina, os apenados foram convidados a atuar na fábrica, passando a receber a remuneração.
- Essa fábrica está dando a oportunidade de, além da remição da pena, ter a remuneração para ajudar minha família lá fora. Vejo a oportunidade de uma estrutura depois, de ter um chão para pisar assim que eu sair daqui - disse o detento H. G., 42 anos.
O apenado J. C., de 41 anos, também destacou a importância do trabalho para a mudança na sua vida.
- Esse projeto vem para nossa ressocialização, nossa harmonização com a sociedade para valorizar a pessoa humana dentro do sistema carcerário para ter uma perspectiva de vida. A gente só tem a agradecer - disse.

UMA NOVA PERSPECTIVA

Todos os presos trabalhadores usam o uniforme da empresa, estão estudando e participam de acompanhamento psicossocial proposto pela PEAR, por meio do projeto Novos Horizontes.
- Realizamos dinâmicas em grupo e podemos perceber o retorno deles sobre a perspectiva de um novo caminho, de perceber que muitas coisas que usamos no dia a dia passam pela costura e, assim, eles vislumbram muitas áreas para atuar quando saírem em liberdade, percebem que podem buscar outros meios de sobrevivência - explicou a psicóloga da Susepe Vanessa Vieira Pinheiro da Silva, que atua na casa prisional.
A previsão é de expansão do número de trabalhadores atuando na fábrica dentro da casa prisional.
- A Delegacia Penitenciária da 9ª Região, a direção, os agentes da segurança e a equipe técnica estão comprometidos com esse trabalho, demonstrando nossa missão institucional com o tratamento penal e com a cidadania das pessoas privadas de liberdade - complementou o diretor do presídio, José Giovani Rodrigues de Souza.
A chefe do trabalho prisional da Seapen e da Susepe, Elisandra Minozzo, pontuou que o reconhecimento dos apenados e dos empresários sobre a importância da iniciativa é o que impulsiona a proposta desses projetos.
- Só nesse período da pandemia, já abrimos mais de cinco fábricas novas no sistema prisional gaúcho. Todas essas ações de mão de obra prisional só fazem sentido se, de fato, fizerem sentido para a vida dos apenados e para a sociedade - ressaltou.

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